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domingo, 26 de novembro de 2017

Festas de final de ano… como sobreviver a elas sem meu bebê?



Ainda não estamos em dezembro, mas o Papai Noel já chegou aos shoppings, as luzes piscando já estão nas lojas, os comerciais de TV já mencionam o grande dia de estar em família, celebrar a vida e o amor, dar presentes etc etc etc.

E a gente está como? Aterrorizada! Com medo, frio na barriga, mão suando, coração batendo forte, aquela vontade de chorar engasgada na garganta…

Como vou sobreviver a essas festas sem o meu bebê nos braços? Ou sem a minha barriga que deveria estar aqui, crescendo dia a dia e eu exibindo ela com sorrisão no rosto em todas as fotos de família?

Foi exatamente isso que eu vivi há dois anos, quando passei meu primeiro Natal e Réveillon sem minha filha. Ela morreu em setembro, quando deveria ter nascido em novembro. E nos meus planos o Natal seria o mais lindo de todos com a minha pequena nos braços!

Quando comecei a ver os primeiros sinais do Natal, minha primeira reação foi fugir. Desligava a TV, não entrava nas lojas, evitava os shoppings. Mas eu amo o Natal e não queria que ele se transformasse num trauma para mim. Então, pensei numa forma de deixa-lo um pouco mais suave nesse primeiro ano.

Eu nunca fui uma pessoa muito boa com trabalhos manuais, mas entrei na internet e procurei um anjinho em feltro que eu conseguisse fazer sozinha. Era fácil, precisava de pouca habilidade, saí para comprar os materiais e horas depois ele estava pronto! Meu anjinho cor de rosa, para enfeitar a árvore que eu não queria montar.

Até hoje meu anjinho permanece na árvore. Simboliza a presença da minha filha no meu Natal, que não teria graça sem ela. Naquele ano, não participei da ceia com a minha família e eles entenderam. Fiquei em casa com meu marido e minha mãe. Jantamos, oramos e fomos dormir com saudade da nossa pequena.

Mesmo dolorido, acho que colocar a minha filha no meu Natal, mesmo que simbolicamente, me ajudou e ajuda bastante. Então eu quero convidar vocês, que gostam das festas de final de ano, a fazerem o mesmo.

Pode ser um enfeite na árvore, uma pelúcia especial na casa ou na foto de família para o cartão de Natal, uma bola de cor diferente das demais, um trabalho manual seu com o nome do seu bebê, uma doação em nome do seu bebê para uma organização de caridade. Algo simbólico, algo especial, entre vocês e com muito amor!


Desejo que as festas de final de ano, e tudo o que elas envolvem, não machuquem tanto vocês… Saudade vamos sentir eternamente, isso é fato, mas somos fortes o bastante e podemos sobreviver. Por amor!

Autora: Karina Meneghetti

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

4 conselhos para lidar com Festas de Final de Ano




Para você, Meu Amigo,

Se as festas são difíceis para você. Se você está está com o peito sufocado em ver famílias se reunindo. Se a dor toma conta de você quando percebe que este ano, e ano que vem, e para sempre, vai sempre te faltar um pedaço. Se você quiser fechar as persianas, trancar a porta, e se esconder debaixo das cobertas até dia 02 de janeiro. Se você está de saco cheio de tudo, aqui estão alguns lembretes delicados para você nessa época de festas.

1) Eu sinto muito por sua perda. Isso que lhe aconteceu é péssimo!

Não há outra maneiras de contornar isso. Me desculpe. Tudo isso realmente é uma porcaria. Você não deveria ter que passar por isso, mas você está, e por isso, eu sinto muito. Eu gostaria que as coisas fossem diferentes. Às vezes, eu desejo que nunca ninguém precisasse passar por isso. Eu gostaria que a morte não existisse. Gostaria que relacionamentos nunca terminassem. Gostaria que a vida fosse melhor e mais fácil e plena de felicidade e que o mundo não fosse tão cruel.
Mas nem sempre é. E isso é uma merda!

Eu sinto muito.

2) Seja você mesmo!

Dê liberdade para si mesmo agora. Seja você mesmo! Quando você passa por situações difíceis, pode acontecer de acabar colocando um falso sorriso no rosto, fingindo ser algo que você não é. Dê-se permissão para ser autêntico. Cerque-se apenas daqueles que acolherão o seu verdadeiro eu, mesmo que pequeno, mesmo que machucado, mesmo que incompleto. Aqueles que aceitarão em receber você do jeitinho que você é.

Uma ferida que está constantemente coberta não cicatriza como deveria. Da mesma forma, se você nunca pode baixar a guarda e ser transparente, deixar as máscaras de lado, essa ferida pode nunca fechar.

Permita-se. Não importa como. Se encontrar um amigo e sentir vontade de sorrir, sorria! Está tudo bem! Seja você mesmo. Não há mal nisso!  Se estiver triste, que assim seja. Se estiver feliz, não se sinta culpado. Você é livre!

Nesta época de festas, faça o que puder para ser gentil com você mesmo. Seja você, meu querido!

3) Escolha ouvir o amor 

Como nem todas as circunstâncias são evitáveis, você pode encontrar-se ao lado de sua tia-avó, a quem você ama muito,saboreando deliciosos biscoitos de natal e ela quer, de alguma forma resolver todos os seus problemas por te amar muito! Ela pode dizer coisas ofensivas ou que te magoem. Ela pode dizer coisas que você não quer ouvir e nem gostaria que ela lhe falasse. Mas o melhor conselho que eu ouvi foi esse: “Escolha por ouvir o amor." É difícil, muito difícil, mas a maioria das pessoas que te amam realmente querem te aninhar em seus braços e tirar qualquer dor, mas eles simplesmente não sabem como.

Então, quando eles abrirem a boca, e você ouvir coisas que não deseja, escolha ouvir o amor. Escolha ver um coração que quer acolher, se aproximar do seu, mas simplesmente não tenho as palavras certas para dizer. Escolha ouvir apenas o amor.
Ajude dizendo o que lhe magoa ou que algumas palavras não te fazem sentido. Mas que você entende a manifestação de carinho e que talvez, ao invés de palavras, você prefere um abraço ou um café quentinho a dois.

4) Você nunca está sozinho.

Saiba que você não vai ser a única pessoa sofrendo pela falta de um filho durante as festas de final de ano. É uma realidade horrível, mas sei que para cada momento de dor que você sente, há alguém lá fora que provavelmente está se sentindo da mesma maneira. Sei que eles estão sobrevivendo. Eles estão respirando. Eles estão passando por esse caminho, e por isso você pode, também. Saiba que você não está sozinho. Saiba que você pode fazer isso. Saiba que podem fazer isso juntos! Saiba que você está indo muito bem, meu amigo…

Você nunca está Sozinho!!


Que seu coração encontre paz, esperança e força para seguir pelo caminho!

(Carta adaptada de Lexi, mãe do Charlen)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

As festas de final de ano chegaram. E agora??




Para nós que perdermos um filho, a temporada de festas pode ser uma época de esmagadora tristeza e asiedade. Os rituais familiares de união da família pode fazer nos sentirmos sozinhos e isolados.

Enquanto o mundo ao seu redor é comemoração, lidar com a dor e atravessar este momento extremamente difícil é um grande desafio para aqueles que estão de luto. A nostalgia da época pode renovar a dor da perda mesmo anos após a morte da criança. Nesses seis anos desde que o nosso filho, Josiah, morreu, eu descobri que
muitas coisas podem acionar a sensação de perda, cada uma trazendo novas ondas
de luto.

Quando uma criança morre, contraria totalmente a ordem natural da vida. O luto pode ser muito desgastante, tanto física como emocionalmente. Você pode perder a confiança na sua capacidade de tomar decisões ou de confiar nos outros. Perder um filho muitas vezes nos leva a rever conceitos: nós questionamos a vida, a justiça e nossas crenças religiosas. Quando o mundo está caindo sobre sua cabeça é difícil sentir que você tem qualquer qualquer coisa sob controle. Mesmo as tarefas mais comuns na casa e no trabalho podem se tornar dificeis.

Tente aceitar que os próximos dias de festa podem ser um momento muito difícil para você. O primeiro feriado sem o seu filho pode ser especialmente doloroso.
Reconsidere o passado e juntos, como uma família, criem novas tradições para a data festiva. Se você tem outra crianças, pergunte o que eles gostariam de fazer. Em seguida, decidam, em família, a melhor maneira de passar as festas.
Planejar como serão as festas com antecedência não vai mudar a sua perda, mas pode trazer a você uma sensação de controle sobre a ocasião.

Datas comemorativas podem ser dolorosas para aqueles que estão de luto. Por ser tão dificil, não exija muito de si mesmo nesse momento. Respeite sua escolha de como passará o dia e como honrará a memória de seu filho. Muitos pais enlutados vão dizer que olhar para além dos momentos de desconforto lhes ajudou a passar por essa época tão difícil. Muitas vezes, as famílias mudam a seus rituais familiares e optam por fazer algo diferente nas festas, especialmente no primeiro ano após a morte de seu filho. Os pais podem querer buscar refúgio ao realizar uma celebração mais isolada e nesse momento curtir as lembranças a sós.

Quando se trata de luto, as necessidades das outras crianças da família muitas vezes são esquecidas. Converse com seus outros filhos sobre seus sentimentos e como as festas tradicionais ainda pode ser um momento especial para elas. As crianças precisam expressar suas emoções conforme se adaptam à vida sem o seu precioso irmão ou irmã. Permita que elas decidam como celebrar os feriados também. É normal para elas chorar em pequenas doses. Num instante elas podem ser esmagadas por sua tristeza, e no próximo minuto brincam felizes da vida!

Procure maneiras de incluir a memória de seu amado filho em suas comemorações. Encoraje seus filhos a fazer algo criativo ou significativo. Pode ser um cartão ou algo que gostem de fazer. Podem acender uma vela especial, criar um enfeite para a árvore, ou participar de um evento de doação de brinquedos para crianças
carentes. Essas podem ser belas maneiras de honrar a memória de seu filho. Dar algo de si mesmo para outros pode ser a cura para a dor durante a época de festas.

Todo mês de dezembro, a nossa família assiste um coral cantar à noite no cemitério
onde Josiah foi sepultado. Nós também visitamos nosso hospital local.
Nos confraternizamos com famílias enlutadas e visitamos os profissionais
que cuidaram de Josiah. Este ano, nossas filhas irão pendurar o anjo tradicional na árvore de Natal do hospital e juntos confeccionaremos uma coroa de flores para levar ao cemitério. A cada inverno meu marido coloca doces onde Josias está enterrado, enquanto nossos outros filhos colocam pequenos enfeites na árvore de Natal do cemitério com uma mensagem a seu irmão no céu.

Procure maneiras criativas e significantes para honrar seu filho durante todo o ano. Muitos famílias visitam sempre o cemitério em ocasiões especiais como um feriado, aniversário de nascimento ou falecimento da criança. Outros pais acreditam que seu filho está  sempre com eles em espírito. Permita-se sentir a dor e a tristeza. As memórias das boas lembranças de seu filho irão ajudar a lidar com essas festividades.

Te encorajo a buscar consolo em pessoas que compartilham a sua dor. Encontrar
conforto em alguém que esteja disposto a lhe ouvir.

Você pode achar apoio nas redes sociais, já que muitas vezes as pessoas próximas de você podem não entender a profundidade da dor de sua perda.  Você vai encontrar força em quem compartilha de sua perda.

Escolha estar perto daqueles de quem não é necessário esconder sua dor. Aqueles que vão deixar você chorar suas lágrimas e compartilhar seus sentimentos. Você pode sentir necessidade de se distanciar daqueles que são insensíveis a sua dor ou que acham que, por já fazer um tempo, não dói mais.

Nossa sociedade não lida com a morte, e talvez aqueles que nunca passaram por essa tragédia não podem te compreender.

Tenha fé. O luto é um processo de ir deixando de lado o que era para aceitar o que é. É uma angústia e muito dolorido, mas também é a sua salvação. O luto é o processo de como entrar em acordo com a perda de seu filho.

Eu aprendi que você não se recupera após a perda de um filho. Você se adapta.
Você chega a um ponto em que incorpora a perda e essa passa a fazer parte de você.
O luto nos leva por um caminho imprevisível. Eu aprendi que não há nenhum desvio. Há apenas uma única estrada, e que é através dele. E descobri que isso é fato: Nos próximos anos vamos olhar para trás e descobrir que o sofrimento nos ensina sobre a vida. Nossa compreensão da vida vai se aprofundar.

Respeite a si, suas dores e seu momento. Decida com sua família como serão esses dias. Não há regra. Não há caminhos certos. Siga seu coração!

E que você se faça forte o suficiente para permitir-se ser fraco sempre que precisar. Que chore suas dores e a ausência daquele que tanto ama. Não há nada de errado, nem ruim em deixar doer!

(Baseado em carta de Shari Morash, mãe do Josiah)