Assistindo ao Pequeno Príncipe, me pareceu o certo a fazer escrever tudo que o filme me fez pensar e reviver...
No dia 20/07/2017, acordei feliz sabendo que o momento de conhecer você, meu Iure, estava próximo. Eu estava arrumando os últimos detalhes para sua chegada, antes mesmo de imaginar que você viria antes. Já tinha visto este difusor do Pequeno Príncipe, então neste dia fui compra-lo. Seu quartinho estava lindo e cheiroso para recebe-lo, mas o nosso destino já estava traçado. Você não pôde desfrutar do seu lindo quarto e eu não pude lhe contar a linda história do Pequeno Príncipe. E o difusor estava aqui, sem utilidade pra mim, me fazendo lembrar de você todas as vezes que olhava para ele. Esta semana resolvi usá-lo aqui na sala, do lado da sua foto.
Só então reparei em uma frase que está escrita em uma tag que veio nele: "Então, eu me sinto feliz e todas as estrelas riem docemente."
Isso me trouxe um certo consolo, saber que aonde você está não tem choro, nem dor, nem sofrimento. Você está feliz, um anjo perfeito, lindo e muito amado, brincando ao redor das estrelas e sei que, ao seu lado, elas riem docemente!
A dor pode sim amenizar, mas o amor e a saudade só crescem, dia após dia.
Ariane Baptista Ribeiro
(Ariane é mãe do Iure e integrante do Grupo SobreViver)
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
10 razões para amar meu grupo de apoio
Esta é minha declaração de amor a todos os pais e mães que
conhecem a dor de perder um filho. Eu quero que eles saibam porque eu os amo.
Eu amo meu grupo de apoio porque…
1- Eles me chamam de Mãe.
Depois de perder uma criança, você deseja a chance de ser a mãe
ou o pai que você sonhou que seria. Estas são as pessoas que veem você como
você é; os pais do seu lindo bebê.
2- Eles são criativos.
Eu fico constantemente impressionada com o talento que o
grupo de apoio possui. São pintores, fotógrafos, escritores, artistas visuais,
joalheiros entre nós. Cada faísca de sua criatividade é iluminada pelo amor aos
seus filhos.
3- Eles são atenciosos.
Mesmo quando o seu próprio fardo é pesado, eles nunca
hesitam em ajudar os outros a carregar sua carga.
4- Eles olham para a vida de forma mais bonita.
Olhar através das lentes de um coração partido faz você enxergar coisas extraordinárias.
Olhar através das lentes de um coração partido faz você enxergar coisas extraordinárias.
5- Eles não me deixam acomodar.
Quando a morte de um filho toca a sua vida, você percebe o
quão importante é nunca deixar nada para trás. Meu grupo de apoio quer que eu
aproveite cada oportunidade e que eu nunca sacrifique o meu amor próprio.
6- Eles estão sempre lá. Literalmente.
Nosso grupo de apoio abrange o globo. Existe um membro em
cada fuso horário. Isso significa que, a qualquer momento, alguém está lá
quando a gente precisa.
7- Eles são
ferozes. Sério.
Não mexa
com a gente. Nós somos o grupo de pessoas mais fortes que eu conheço.
8- Eles são vulneráveis.
Todo dia eles encaram o mundo de braços abertos e emoção em
carne viva. Ser vulnerável assim, requer um poder além da medida.
9- Eles são os pais mais maravilhosos.
Ser mãe e pai de uma criança que você não pode abraçar ou
ver é o trabalho mais difícil que existe, mas o meu grupo de apoio faz isso com
muita graça e ânimo. Nossos bebês são muito amados.
10- Eles conhecem.
Minha história, minha dor, meu amor pelo meu bebê; eles
sabem de tudo isso.
Autoria: Rachel
Whalen – publicado no blog An Unexpected Family Outing
domingo, 29 de outubro de 2017
Depoimento de Juliana Couto
Na voz da mãe, Juliana.
Seu corpo será controlado à primeira ideia de maternidade. Se você engravidar e abortar espontaneamente, seu filho será considerado pouco. A curetagem é simples, o aborto natural também, a mulher se recupera e logo outro filho vem porque não era a hora. Mas se a mulher quiser abortar porque não quer ser mãe, quaisquer que sejam as razões que a movem, ela é uma assassina de bebês. Se a mulher optar por um parto domiciliar, ela será condenada como a natureba que coloca em risco não só a vida dela, mas a do bebê. Mas se ela optar por uma cesárea agendada, será aplaudida, ainda que os embasamentos científicos apontem cada vez mais o risco da desnecesárea. Se essa mulher abortar espontaneamente, impedindo qualquer concretização de parto domiciliar, e optar por abortar naturalmente em sua casa, ela não será condenada. Aliás, ninguém se manifestará para recolher aqueles riscos, agora desfeitos em aborto, no chão.
Abortar dói. Física e espiritualmente. É preciso escrever e reescrever a sensação de perder o chão sob os pés e seguir andando, a sensação de dor que vem das entranhas e segue acompanhando um corpo que já não gesta como antes. Dói repassar os pontos, perceber os sinais antes não percebidos, compreender que é preciso que o corpo saia de você. Abortar dói. O útero dilata pouco, mas dilata, e rapidamente. Diferentemente da contração do parto, que irradia das costas em volta do corpo, a dilatação do aborto faz doer o útero, as costas, a alma, separadamente. Foram meses até que as palavras sensoriais de abortar se encontrassem: imagine-se em um queda d’água com um filete de água forte e sem forma, correndo a esmo. Imagine-se desesperadamente tentando pegar esse filete e torná-lo uma pequena poça em suas mãos, um poça pequena e constante. Imagine essa poça como a única possibilidade de vida. A água não é controlável. Nem a vida, nem o aborto. Abortar um filho é a sensação constante da água esvaindo pelas mãos. Ainda que conscientemente se saiba que a água não pode ser controlada, pegada, guardada, o inconsciente não se exime em tentar, tão forte, rígido e competente quanto a água. Essa é a sensação desesperadora de perder um filho. Diferentemente do parto, quando em grandes passagens espirituais nascem um bebê, uma placenta e uma mãe, no aborto nasce uma mãe, com uma ruptura na alma avassaladora. O útero dá conta de desfazer as camadas do endométrio (que um dia formariam a placenta) que se desprende em pedaços e sai em pedaços, grandes placas de sangue. O sangue é constante. Ele jorra, ele sai, não para, não há intermitência, pausa ou descanso. Há descaso. Em algum momento entre as placas de sangue, é possível perceber a saída de uma pequena bolsa, transparente, pequena, com um pequeno formato no interior. Já sem vida, sem batimentos, apenas a ideia do que seria o segundo filho. Dói.
Dói o desligamento, dói a quebra, dói a interrupção, dói compreender e aceitar ao mesmo tempo em que o querer o filho prevalece - das complexidades da maternidade. Dói a invisibilidade da família. No caso, essa família, tão bem encaixada em tantos padrões e ideias, com a consciência desses padrões e desse querer sem família. Uma mãe, um pai, dois filhos - quatro, mas um deles invisível. Dói a ideia de que todos ao redor veem seu filho como peça substituível : logo vem outro, não era para ser, não se sabem os desígnios da vida, é aprendizado (esse é especialmente cruel; afinal, quem em sã consciência fala para uma mãe que perdeu um filho que abortar placas de sangue e ver seu filho morto saindo da vagina é um aprendizado, em pleno luto?). Dói lembrar dos comentários anteriores: aquela prima que avisou “só conta para todos depois das 12 semanas”, aquela tia que disse “juízo”.
Não basta você se encaixar em todos os padrões necessários (cabe aqui, esclarecer que é compreendendo o que são padrões sociais, estereótipos e entendendo o que nos leva a ser assim), não basta você optar pela monogamia, se estabelecer em um relacionamento heterossexual, não basta você ter um filho dentro de um casamento, não basta os responsáveis por essa família, a mãe e o pai, trabalharem, se encaixando em padrões nojentos do mercado de trabalho e com essa consciência trabalhando dentro deles, coagindo-se sem coagir, não basta optar pelas boas novas da educação infantil, não bastam os anos de estudo e dedicação acadêmica, as noites profissionais em claro, não basta o que a vida já deixou de marcas profundas em ambos, não basta o medo de reencontrar os fantasmas, não basta. Alguém dirá “juízo” ao seu segundo filho, eu seu ventre, que bravamente lutou (e só você sabe) pelas batidas compassadas e fortes de um minúsculo coração. Nada basta. Você vai abortar, vai doer, você vai repassar a história das mulheres de onde veio, da família de onde veio e o “juízo” vai ressoar, o não esperar as 12 semanas vai ressoar.
Ser abençoada com ciclos menstruais pós-aborto curtos, indolores e rápidos é gritar os quatro cantos do universo uterino: obrigada por me poupar. O que não impede que a dor volte, que a lembrança retorne e que de tempos em tempos, o filete de sangue menstrual recorde a tarde em que se perdeu um filho. A dor, as poças de sangue, o buraco na alma já tão escancarado e fundo que é vazio, o vazio da perda. A necessidade de estar ali para o mais velho, aquele que será sempre o mais velho, que ensinou a você tudo. E o mais novo, que invisível, ensinou o outro tudo que você não previra. Dói perceber que o segundo filho não é comemorado pelos familiares e amigos como o primeiro, que ele parece ser menos. Que falam “de novo, grávida?” e que poucas pessoas realmente parabenizaram, torceram, felicitaram.
Dói saber que você dedicou semanas de amor infinito para alguém que precisava partir. Será que esse corpo, ainda sem alma, apenas concepção, ainda a esperar pelo espírito que o habitaria, compreendia meu amor?
Sim, compreendia. Eu o via, tão inteiro quanto o irmão.
Vai filho, eu estarei aqui, ambos invisíveis.
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
Por favor, não esqueça do meu filho que morreu
Por favor, não se esqueça do meu filho. Este é o meu sincero
apelo. Eu sei que você me ama e se preocupa com minha família. Eu sei
que você nem sempre entende e eu nem eu espero que você entenda. Eu sei
que você não gostaria de causar mais dor aos nossos corações já tão
doloridos. Então, você não menciona o meu filho por medo de agitar a
poeira que parece ter abaixado. A verdade é que um dos meus maiores medos
é a ideia de que o meu filho será algum dia esquecido.
Quanto menos você fala sobre ele, com mais medo eu fico. Não
espero que ele seja o tema de todas as nossas conversas. Eu não espero que
você o mencione toda vez que eu te encontrar. Mas eu gostaria disso em um
momento ou outro. O tempo amenizou aquele sofrimento profundo e sufocante dos
primeiros dias e, embora eu esteja sempre relutante em admitir isso, sei
que o mundo continuou. Mas o que eu preciso, e o que eu quero agora é
apenas saber que ele não foi esquecido.
Talvez você dizer que um dia desse se pegou pensando nele ou que
se lembrou dele. Mas, preciso muito que você se lembre do importante dia em que
ele nasceu e no dia em que ele morreu. Veja só, não espero que você
conserte nada disso! Sei que você não tem esse poder! De verdade, tudo o eu
preciso é saber que eu posso mencionar o nome do meu bebê sem medo, sem culpa e
sem incerteza. Preciso saber que ele é lembrado porque ele merece isso! Ele
não merece ser varrido para debaixo de um tapete porque alguém teme minhas lágrimas
como resposta. Ou porque você acha que meu sofrimento diminuiu. Ou
porque você mudou. Ou porque você tem dificuldade em falar sobre ele.
Ele merece mais do que ser esquecido ou permanecer sem ser mencionado. Afinal,
ele ainda é meu filho.
Meu filho é uma grande parte de quem sou agora. Você sabe
disso. Lembro de seu nome e de seu rosto todos os dias! Mesmo nos
dias em que eu sorrio ou nos dias em que a alegria me inunda. Ele ainda
está no coração de quem eu sou agora. E eu preciso que você saiba que está
tudo bem! É bom falar seu nome tanto num dia ruim ou num dia feliz. Está
tudo bem e é o que preciso de vez em quando.
Preciso ter certeza de que sua vida é valorosa ainda. Eu
preciso saber que sua história não acabou e que não foi esquecida, mesmo que já
tenha passado algum tempo. Preciso saber que não me lembro dele
sozinho. E tudo o que é preciso para me lembrar dessas coisas é ouvir o
seu precioso nome. Não preciso de presentes, não preciso de flores ou
cartões. Eu só preciso que você diga seu nome em voz alta, sem hesitar.
Preciso que você lembre do significado de dias importantes como o
aniversário dele. Porque enquanto eles são dias normais para você, por
aqui são dias que lembramos, que choramos. São dias que trazem sentimentos
extremamente complicados. Não importa quantos anos se passaram. Estes
dias são significativos para minha família. E eles sempre serão.
Então, por favor, não se esqueça do meu filho. O maior
presente que você pode dar a mim e à minha família é o dom da
lembrança. Isso não lhe custa nada. Isso requer muito pouco. No
entanto, é mais precioso que o ouro. Ouvir o nome do meu filho é o maior
lembrete de que ele não foi esquecido.
E não há nada que eu queira mais!
(Por Jessi
Snapp)
Tradução
por Grupo SobreViver
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Nascer em Silêncio
Não se esqueça de ativar as legendas em português :)
Produzido por facebook.com/healthybirths (https://www.youtube.com/watch?v=Pg7fp...)
Tradução facebook.com/gruposobreviver
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Quando a dor e a alegria andam juntas...
Quando minha irmã se sentou comigo no sofá e me contou que estava grávida de seu
terceiro filho, apenas alguns meses após eu ter perdido a minha primeira filha,
lágrimas desceram pelas minhas duas faces. Eu senti as duas coisas ao mesmo tempo:
tristeza e alegria.
Eu queria assegurar para ela que eu estava feliz por esta nova vida crescendo dentro
dela, enquanto ao mesmo tempo eu não conseguia evitar que esta nova onda de
tristeza me atingisse porque eu desejava que um bebê saudável estivesse crescendo
dentro de mim. Ela sabia disso e me disse que tudo bem eu me sentir dessa forma, que
eu nem precisava ficar feliz e que ela também estava experimentando a tensão dessas
emoções. Que liberdade ela me deu naquele dia, para abraçar a alegria e a dor que
faziam parte da minha nova realidade no luto!
Estes momentos com minha irmã foram alguns dos primeiros, depois de eu perder
minha primeira filha, nos quais eu senti que a alegria de outra pessoa se misturava
com a minha própria dor. Foi o sentimento dessa alegria em uma nova vida, um novo
sobrinho e a dor da minha própria perda. Era desconfortável e perturbador.
Não posso ter uma emoção sem a outra?
Pode ser fácil nesses momentos, para quem está experimentando a alegria, pensar ou
mesmo dizer (mas por favor, não faça isso!): "Você não pode ficar feliz por mim?".
Felizmente, essas não foram as palavras que minha irmã me disse ou mesmo pensou.
Em vez disso, ela se sentou comigo na dor e na alegria que coexistiu, permitiu-me
celebrar com ela quando pude e chorou comigo quando eu não pude. Talvez essas
palavras tenham sido ditas a você enquanto lutava com a sua própria dor e tristeza ou
talvez você tenha pensado: "Por que eu não posso ficar feliz por elas ao invés de sentir
essas intensas emoções, aparentemente contraditórias, de alegria e dor crescendo em
mim?” Ou talvez como eu, você só desejasse que essas emoções não colidissem tão
constantemente como agora.
Sentir alegria e dor é difícil!
Em nossa cultura ocidental, é difícil se permitir viver as emoções da dor e da alegria,
tanto para os que estão em luto quanto para a pessoa que está vendo o outro em luto.
Nós gostamos de coisas mais racionais, mais confortáveis, mais compreensíveis. Hoje
eu me sinto feliz. Hoje estou triste. Mas para aquele que está em luto, essas emoções
são de ida e volta e muitas vezes acontecem nos mesmos momentos, ou nas mesmas
respirações. Posso compreender muito mais as minhas emoções quando elas não
estão uma bagunça. Mas o sofrimento é confuso e bagunçado.
Antes de perder minha filha, eu não entendia de verdade esta colisão de emoções tão
intensas, eu nunca as tinha experimentado tão assustadoramente juntas e ao mesmo
tempo. A maior parte da minha vida tinha sido bastante fácil. Em um casamento ou
um chá de cozinha, em um chá de bebê ou quando descobria que alguém estava
grávida, sentia alegria.
Mesmo quando eu estava solteira e desejava me casar, descobria que outra pessoa estava se casando e não evocava o mesmo tipo de emoções intensas que surgiam quando eu descobria que alguém estava tendo um bebê depois de ter perdido a minha.
Alegria e tristeza caminham juntas...
Claro, eu não desejava a perda de um filho para ninguém, não queria que alguém
tivesse que suportar a dor de saber que seus filhos morreram, eu só queria não ter
perdido a minha filha. Hoje, vários anos depois, são outros momentos marcantes dos
filhos dos meus amigos que me fazem lembrar - às vezes de forma clara, outras vezes
mais sutis - dos momentos que estou perdendo. São as emoções que surgem nas
pessoas que viveram o luto e são as emoções daqueles que reconhecem que vivemos
em um mundo onde a alegria e a tristeza estão sempre juntas.
[...]
Ver essas verdades de novo trouxe uma paz estranha à minha alma, saber que não estou sozinha nessas emoções entrelaçadas.
Não existe apenas alegria e não existe apenas dor.
À medida que o tempo passou, minha alegria tornou-se mais doce, não separada da
dor, mas por causa dela. Eu ouço que uma nova vida está se formando e meu coração
torce, com dor e também alegria, pelo precioso e valoroso dom da vida.
Alguns meses atrás, enquanto passava um tempo com minha melhor amiga Julie e
suas duas filhas, as meninas ouviam a música de La La Land. Peguei-as pelas mãos e
giramos e dançamos e meu coração estava cheio de alegria. E de repente lá estavam
elas novamente, lágrimas de tristeza que me lavaram quando imaginei o que seria
dançar e girar com minhas duas garotas que teriam a mesma idade que as dela.
Eu sofri pelas minhas filhas naquele momento, desejando o dia em que eu iria
experimentar dançar com elas, ao mesmo tempo em que eu estava agradecida por
esses preciosos momentos com as meninas da minha melhor amiga, que eu também
amo muito.
Como aceitei mais rapidamente a realidade de que essas duas emoções colidirão
constantemente, tenho sido mais capaz de me alegrar com aqueles que se alegram e
chorar com aqueles que choram. Cresci permitindo que essas emoções estranhas, e
muitas vezes irreconciliáveis, existam juntas.
Estou percebendo que meus sentimentos de tristeza e dor não significam que eu não
estou feliz por aqueles que experimentam alegria, e meus momentos de alegria não
significam que eu ainda não estou triste e com saudade daqueles a quem amei e perdi.
Não tem sido fácil, mas foi e continua sendo (na maior parte das vezes) uma doce
jornada de aceitar que não existe apenas alegria e não existe apenas dor e uma não
cancela a outra.
Na aceitação descansa a paz
Uma mulher sábia chamada Elisabeth Elliot disse uma vez "na aceitação descansa a
paz". Ao longo do tempo, quando eu comecei a aprender a aceitar e abraçar as
emoções sempre entrelaçantes de alegria e dor, uma maior paz surgiu. E essa paz não
veio quando minhas emoções se elevavam, mas no meio delas. Quase nunca (ou
nunca) gosto de sentir que minha realidade inclui tal perda, mas lembro-me de que
não sou a única a andar nessa jornada de dor. E certamente não sou a primeira a
começar a aprender como é ter alegria junto com a dor.
[...]
Texto de Lindsey Dennis - Tradução de Karina Meneghetti
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